Pensemos no nosso fim sem tristeza
Publicado em 26 de março de 2008.
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Em uma carta do filósofo Sêneca ao amigo Lucílio, encontramos algumas reflexoes importantes:

Diz ele:

“Deixemos de desejar o que sempre desejamos. É isso realmente o que faço: já velho abandonei os meus desejos de menino.

Só para isso passo os dias, as noites; para isso trabalho e penso: pôr um fim aos antigos males.

Nisso me ocupo, para que o dia possa equivaler a toda a vida.

Naturalmente não o arrebato como se fosse o último, mas o considero como se pudesse ser mesmo o derradeiro.

Escrevo-te esta carta com tal disposição de alma, como se a morte me houvesse de chamar: principalmente quando estivesse escrevendo.

Estou preparado para partir e, por isso, aproveitarei a vida, porque em nada me inquieta sua duração.

Antes da velhice cuidei de viver bem, na velhice trato de morrer bem; ora, bem morrer equivale a morrer de bom grado.

Esforça-te por nada fazeres a contragosto. Tudo o que será necessidade a quem repugna, não o será para quem quer.

Digo o seguinte: Quem recebe as ordens de bom grado, evita a parte mais penosa da escravidão, ou seja, fazer o que não quer.

É infeliz, não aquele que, mandado, executa uma tarefa, mas quem a faz forçado.

Por isso, de tal modo nos disponhamos espiritualmente que desejemos o que as circunstâncias exigirem e, de modo especial, pensemos no nosso fim sem tristeza.

Devemo-nos preparar mais para a morte do que para a vida. Esta é suficientemente fecunda; mas somos ávidos dos meios para viver; e algo sempre nos parece faltar.

Não são os anos nem os dias que fazem com que vivamos bastante, mas a disposição espiritual.”

Enfim, o velho Sêneca termina a carta dizendo:

“Caro Lucílio, eu vivi quanto era suficiente, agora satisfeito espero a morte. Adeus.”

Quantos de nós poderíamos partir com esta certeza no coração: a de ter vivido o quanto era suficiente.

Vivido o suficiente não em tempo, em dias, em anos, como ele mesmo afirma, mas o bastante em disposição espiritual.

Quantos de nós temos essa consciência: de que aproveitar bem a vida é ter se dedicado a pôr fim nos antigos males? Quantos?

Aguardar a morte sem medo, sem incertezas e inseguranças no íntimo, só consegue quem tem a consciência tranqüila, a consciência de quem se esforçou para se melhorar nesta vida.

Pensemos no nosso fim sem tristeza.

Pensemos num fim que é apenas conclusão de uma etapa, de uma fase. Recomeço. Ou se preferir, continuidade.

Pensemos no nosso fim sem tristeza. Coroado com sorrisos de “até breve” e com lágrimas de “muito amei”.

Pensemos na brevidade da existência e na longevidade da vida, que não pára, que não finda, que não se apaga nunca.

Pensemos no nosso fim sem tristeza. Pensemos no nosso fim como um novo começo, certo e seguro.

Fonte: Redação do Momento Espírita com base em trecho da obra Aprendendo a viver, de Sêneca, ed. Martins Fontes.
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